23 de março de 2017

SANTO DO DIA – 23 DE MARÇO – SÃO TURÍBIO DE MOGROVEJO
Bispo (1538-1606)


São Turíbio de Mongrovejo Rebeca Venturini / FC
Turíbio Alfonso de Mongrovejo nasceu na cidade de Majorca de Campos, Leon, na Espanha, em 1538, no seio de uma família nobre e rica. Estudou em Valadolid, Salamanca e Santiago de Compostela, licenciado em direito e foi membro da Inquisição. Sua vida era pautada pela honestidade e lisura, mas, jamais poderia suspeitar que Deus o chamaria para um grande ministério. Quando então foi nomeado Arcebispo para a América espanhola, pelo Papa Gregório XIII, atendendo um pedido do rei Felipe II, da Espanha, que tinha muita estima por Turíbio.

O mais curioso é que ele teve de receber uma a uma todas as ordens de uma só vez até finalizar com a do sacerdócio, para em 1580, ser consagrado Arcebispo da Cidade dos Reis, chamada depois Lima, atual capital do Peru, aos quarenta anos de idade. Isso ocorreu porque apesar de ser tonsurado, isto é, ter o cabelo cortado como os padres, ainda não pertencia ao clero. E, foi assim que surgiu um dos maiores apóstolos da Igreja, muitas vezes comparado a Santo Ambrósio.
Chegando à América espanhola em 1581, ficou espantado com a miséria espiritual e material em que viviam os índios. Aprendeu sua língua e passou a defendê-los contra os colonizadores, que os exploravam e maltratavam. Era venerado pelos fiéis e considerado um defensor enérgico da justiça, diante dos opressores.
Apoiado pela população, organizou as comunidades de sua diocese e depois reuniu assembleias e sínodos, convocando todos os habitantes para a evangelização. Sob sua direção, foram realizados dez concílios diocesanos e os três provinciais que formaram a estrutura legal da Igreja da América espanhola até o século XX. Inclusive, o Sínodo Provincial de Lima, em 1582, foi comparado ao célebre Concílio de Trento. Conta-se que neste sínodo, com fina ironia, Turíbio desafiou os espanhóis, que se consideravam tão inteligentes, a aprenderem uma nova língua, a dos índios.
Quando enviou um relatório ao rei Felipe II, em 1594, dava conta de que havia percorrido quinze mil quilômetros e administrado o sacramento da crisma a sessenta mil fiéis. Aliás, teve o privilégio e a graça de crismar três peruanos, que depois se tornaram santos da Igreja: Rosa de Lima, Francisco Solano e Martinho de Porres.
Turíbio fundou o primeiro seminário das Américas e pouco antes de morrer doou suas roupas, inclusive as do próprio corpo, aos pobres e aos que o serviram, gesto que revelou o conteúdo de toda sua vida. Faleceu no dia 23 de março de 1606, na pequena cidade de Sanã, Peru. Foi canonizado em 1726, pelo Papa Bento XIII, que declarou São Turíbio de Mongrovejo ‘apóstolo e padroeiro do Peru’, para ser celebrado no dia do seu trânsito.
São Toríbio, ou Turíbio, segundo filho do senhor de Mogrebeyo, diocese de Leon, Espanha, nasceu em 16 de Novembro de 1538. Desde a infância revelou gosto acentuado pela virtude e extremado horror ao pecado.
Encontrando um dia uma pobre mulher, acesa de cólera, justamente na ocasião em que havia sofrido uma perda, falou-lhe da maneira mais comovente sobre a falta que estava cometendo e deu-lhe, para acalmá-la, o valor da coisa que havia perdido.
Tinha terna devoção à Santa Virgem. Rezava diariamente o ofício e o rosário e jejuava todos os sábados que lhe eram dedicados. Durante o tempo em que freqüentou as escolas públicas, reservava sempre uma porção do seu dinheiro, embora pequena, para ajudar os pobres. Levava tão longe as austeridades da mortificação que houve necessidade de moderar-lhe o zelo.
Iniciou os estudos superiores em Valladolid, e terminou-os em Salamanca. O rei Felipe II, que o conheceu bem cedo, dedicava-lhe muita consideração. Recompensou-lhe os méritos com cargos destacados, fê-lo presidente ou primeiro magistrado de Granada. O santo desempenhou essas funções durante cinco anos com integridade, prudência e virtude que lhe mereceram estima geral. Era assim que Deus preparava os caminhos para sua elevação na Igreja.
O Peru tinha sido conquistado por aventureiros espanhóis e por outros que já se tinham estabelecido. Daí advirem muitos males, aos quais a religião devia dar solução. O arcebispado de Lima estava vacante. São Turíbio para lá foi enviado na qualidade de arcebispo, nomeado pelo rei. Jamais, talvez, se tenha visto escolha mais universalmente aprovada do que esta. Turíbio era tido como o único homem capaz de sanar os males da igreja daquele país. O santo sentiu-se consternado ao saber da notícia de sua nomeação. Atirou-se aos pés do crucifixo e desfeito em lágrimas rogou a Deus não permitisse que lhe impusessem um fardo que não poderia deixar de esmagá-lo. Escreveu a conselho do rei cartas em que expunha sua incapacidade em cores carregadas. Passou em seguida aos cânones da Igreja que proibia fossem elevados ao episcopado. Mas não deram atenção às cartas e necessário foi que ele desse seu consentimento. Sua humildade todavia não ficou sem recompensa. Foi para ele a fonte dessas graças abundantes cujo efeito se manifestou depois no exercício do ministério.
Turíbio quis receber as quatro ordens menores em quatro domingos diferentes a fim de ter tempo de desempenhar as funções delas. Depois recebeu as outras ordens e finalmente foi sagrado bispo. Embarcou sem demora para o Peru e desembarcou perto de Lima em 1581. Estava nessa época com 43 anos de idade. A diocese de Lima tinha cento e trinta léguas de extensão ao longo da costa e compreendia além de várias cidades, número incontável de vilas e lugarejos dispersos pela dupla cadeia dos Andes que figura entre as maiores do universo.
O santo arcebispo não desesperou, absolutamente, à vista dessa imensa região, que se tornava mãos difícil pelas urzes e espinheiros. Uma prudência consumada aliada ao zelo ativo e vigoroso, simplificaram-lhe as dificuldades. Pouco a pouco conseguiu extirpar os escândalos públicos e estabelecer o reino da piedade sobre as ruínas do vício.
Imediatamente após sua chegada, empreendeu a visita da vasta diocese. Não é possível fazer-se idéia justa das fadigas e perigos que tenha suportado, Viam-no subir as montanhas escarpadas, cobertas de gelo ou de neve, a fim de levar palavras de consolo e de vida às pobres cabanas dos índios. Quase sempre viajava a pé e como os trabalhos apostólicos não frutificam senão quando Deus os auxilia, orava e jejuava sem cessar, para atrais a misericórdia divina sobre as almas confiadas aos seus cuidados.
Por toda a parte colocava pastores sábios e zelosos e procurava obter o socorro da instrução e dos sacramentos para aqueles que habitavam nos rochedos mais inacessíveis. Persuadido de que a mantença da disciplina influi muito sobre os costumes, fez disso um dos objetivos mais importantes da sua solicitude. De acordo com o concílio de Trento e um breve de Gregório XIII, estabeleceu que para o futuro, de dois em dois anos, haveria um sínodo diocesano; e, de sete em sete nos, concílios provinciais.
Com relação aos escândalos do clero era flexível, sobretudo quando se tratava da avareza. Desde que os direitos de Deus e do próximo estivessem sendo lesados, tomava a defesa deles, sem olhar para a condição das pessoas. Mostrava-se ao mesmo tempo, o flagelo dos pecadores públicos e o protetor dos oprimidos. A firmeza do seu zelo suscitou perseguições dos governadores do Peru, que, antes da chegada do virtuoso vice-rei Francisco de Toledo, não se envergonhavam de tudo sacrificar às suas paixões e aos seus interesses particulares. Não lhes opôs senão a paciência e a doçura, sem todavia nada relaxar da santidade das regras. E como alguns maus cristãos dessem à lei de Deus uma interpretação que favorecia as inclinações desregradas da natureza, lembrou-lhes que Jesus se intitulava a verdade e não o costume, e que no tribunal dele nossas ações seriam pesadas, não na falsa balança do mundo, mas na balança do santuário.
Com tal comportamento, o santo arcebispo não podia deixar de extirpar os abusos mais inveterados. Assim, viu-os desaparecerem um a um, até quase todos. As máximas do Evangelho ganharam consideração e foram praticadas com fervor digno dos primeiros séculos do cristianismo.
Turíbio para estender e para perpetuar a obra de seu zelo, conformou-se em tudo às regras do concílio de Trento, fundou seminários, igrejas, hospitais, sem querer que seu nome fosse inserto nas atas da fundação. Quando estava em Lima, visitava todos os dias os pobres doentes dos hospitais, Consolava-os com bondade paternal e lhes administrava ele mesmo, os sacramentos. Quando a peste atacou boa parte de sua diocese, privou-se do necessário, a fim de prover as necessidades dos infelizes, recomendou-lhes a penitência como o único meio de apaziguar o céu irritado. Assistiu às procissões com lágrimas nos olhos. E, de olhar fixo no crucifixo ofereceu a Deus a vida pelo seu rebanho.
A esses atos de religião, juntou orações, vigílias, jejuns extraordinários, que continuou durante o tempo em que a peste fez sentir seus malefícios. Afrontava os maiores perigos, quando se tratava de obter para uma alma a menor vantagem espiritual. Quis dar sua própria vida pelo rebanho. Estava disposto a tudo sofrer por amor daquele que resgatara os homens por ter derramado seu sangue.
Quando sabia que os pobres índios erravam pelas montanhas e nos desertos, experimentava os sentimentos do bom pastor e ia procurar as ovelhas desgarradas. A esperança de trazê-los de volta para o aprisco, sustinha-o no meio de fadigas e perigos que era obrigado a enfrentar.
Viam-no percorrer sem medo medonhas solidões, habitadas por leões e tigres. Por três vezes visitou sua diocese. A primeira visita durou sete anos, a segunda cinco e a terceira pouco menos. A conversão de grande multidão de infiéis foi o resultado delas. O santo, quando a caminho, se ocupava com orar ou coisas espirituais. Seu primeiro cuidado, chegando a qualquer lugar, era ir à igreja expandir o coração aos pés do altar. A instrução dos pobres o retinha algumas vezes dois ou três dias no mesmo lugar, embora lá faltassem as coisas mais necessárias à vida. Os lugares mais inacessíveis eram honrados com sua presença.
Em vão lhe descreviam os perigos aos quais expunha a vida. Respondia que Jesus Cristo tinha descido do céu para salvação dos homens e que um pastor devia estar disposto a todos os sofrimentos para a glória de Cristo. Pregava e catequizava com zelo infatigável. E foi para melhor desempenhar essa função, que aprendeu, já em idade bem avançada, as diferentes línguas que falavam os selvagens do Peru.
Rezava todos os dias a missa com piedade angelical, meditando longamente antes e depois dela. Confessava-se ordinariamente todas as manhãs, para se purificar perfeitamente das menores impurezas. A glória de Deus era o fim de toas as suas palavras e de todas as suas ações, o que fazia sua oração contínua. Não obstante tinha ainda horas marcadas, para rezar, quando, então, se retirava e conversava com Deus das necessidades suas, bem como da dos rebanho. Nesses momentos, brilhava-lhe no rosto certo êxtase. A humildade nele não era inferior às demais virtudes. Por isso, escondia as mortificações e outras obras. A caridade para com os pobres era imensa. Sua liberalidade abraçava-os indistintamente. Interessava-se, entretanto, de maneira particular pelas necessidades dos pobres envergonhados.
São Turíbio foi atacado por uma doença em Santa, cidade que dista de Lima cento e dez léguas. Estava então ocupado com a visita à diocese. Predisse a própria morte e prometeu uma recompensa a quem lhe afiançasse que os médicos já não tinham esperanças com relação a sua vida. Deu aos criados tudo quanto lhes servia para uso. Seus bens restantes foram distribuídos entre os pobres. Por vontade sua, levaram-no à igreja, onde recebeu o viático. Mas foi obrigado a receber a extrema-unção, acamado.
Repetia continuamente as palavras de São Paulo: “Desejo ser libertado das cadeias do corpo, para unir-me a Jesus Cristo”. Nos derradeiros momentos de vida, fez com que os que se encontravam ao redor do leito cantassem: “Alegrai-me com o que me foi dito: Iremos para a morada do Senhor”.
Morreu em 23 de Março de 1606, dizendo com o Profeta: “Senhor, em vossas mãos coloco minha alma”. No ano seguinte transportaram-lhe o corpo para Lima, Encontraram-no, então, intacto. O biógrafo que relata sua vida, e os atos da canonização, diz que, enquanto vivo, ressuscitou um morto e curou vários enfermos. Após a morte, operou inúmeros milagres, por sua intercessão.
Turíbio foi beatificado em 1679 por Inocêncio XI e canonizado em 1726 por Bento XIII.

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