16 de outubro de 2014

Por que se casar na Igreja, segundo 

São João Paulo II








“Para a maioria das pessoas, as núpcias celebradas na Igreja são ainda um atrativo: desejam celebrar o matrimônio religioso. Por que é assim?
Karol Wojtyla se perguntava já tempos antes de se tornar papa, como demonstra um artigo até agora inédito que apareceu recentemente em uma seleção de textos escritos por ele entre 1952 e 1962, intitulada: “Educar e amar. Escritos sobre o matrimônio e a família” (Cantagalli, Itália).

No texto, de extraordinária atualidade, Wojtyla ressalta que o casamento celebrado na Igreja é mais atraente que o realizado em um Cartório Civil para “a grande maioria das pessoas”, também aqueles “não muito crentes”.

Em primeiro lugar, escrevia Wojtyla, é preciso esclarecer o que significa celebrar o casamento na Igreja. Assim como no casamento civil – explica –, no religioso existem dois momentos, o contrato e a declaração, mas enquanto no primeiro caso a declaração está nos acordos da sociedade, do poder civil, o matrimônio religioso “olha muito mais alto e assume o caráter tipicamente religioso, até mesmo solene. É o juramento a definir o caráter religioso da declaração. O ato não tem sentido se não se aceita a existência de Deus. O juramento chama o Senhor como testemunha”. 

Por que se casar na Igreja?

“Antes de tudo”, responde João Paulo II, “porque isto corresponde plenamente à dignidade e ao valor da pessoa humana. Sabemos que o matrimônio sacramental é o fundamento da ligação indissolúvel do homem e da mulher, e somente esta visão do matrimônio permanece em certo relacionamento com a dignidade da pessoa humana, em certo relacionamento com aquilo que o homem é”. 

“A pessoa possui um particular valor, e tal valor da pessoa merece uma particular afirmação. A pessoa não pode se tornar um objeto a se utilizar - e assim seria se as relações sexuais não fossem mantidas pela instituição do matrimônio, da instituição do matrimônio monogâmico e indissolúvel.”

Existe uma outra razão, que “começa a se formar na nossa consciência quando com os olhos da fé olhamos o destino e avocação de cada ser humano”.

“O ser humano é destinado não somente a cumprir grandes obras neste mundo, a subjugar a terra, a criar a cultura e a civilização, mas o homem - a pessoa humana - é chamado a encontrar pessoalmente Deus, a unir-se definitivamente a Deus. Cada homem possui este destino e cada um é chamado a isto, mesmo quando ainda pouco percebe.”

Se é assim, serve “um voto (juramento), um ato de virtude religiosa até que dois batizados, dois crentes, homem e mulher, possam se unir no matrimônio e iniciar as relações sexuais mediante as quais duas pessoas se doam reciprocamente”, porque “o Senhor deve, de qualquer maneira, ceder; Ele que tem o direito a cada pessoa humana em um certo modo o deve permitir. E é aquilo que acontece no momento da celebração religiosa das núpcias, enquanto ambos se ajoelham, sentindo sob si a majestade divina, vendo diante de si a grandeza do Seu amor e compreendendo plenamente o Seu direito sobrenatural sob cada um deles”.

“Enquanto ambos juram, prometendo-se o amor, a fidelidade e a honestidade conjugal, pelo próprio fato do juramento recebem do Senhor a permissão, o direito de pertencer um ao outro.”

“Por que se casar na Igreja?”, perguntava-se Wojtyla. “Porque o casamento se torna um sacramento que transmite os recursos da redenção de Cristo, aquela força sobrenatural que permite aos homens, que permanecem seres humanos, viver segundo o plano de Deus, viver como filhos de Deus”. 

Para viver o matrimônio deste modo, conclui, “no momento da celebração os esposos devem atingir a graça, acolher na alma tantas daquelas energias sobrenaturais que permitem que eles correspondam ao pensamento de Deus, ao grande plano do Criador e Redentor”.

Em relação a este grande plano, de fato, o homem “se encontra em um nível inferior e frágil”, e para viver no matrimônio segundo o plano de Deus “deve sempre transcender-se, sair fora daquilo que comporta a própria fraqueza. Sairem juntos, ambos”. 

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