17 de maio de 2015

Mulher do Gênesis ao Apocalipse



Mulher_do_Genesis_ao_Apocalipse
Scott Hahn. Foto: Canção Nova 
A lógica do amor é o que faz sentido no plano de Deus, desde o Gênesis até o Apocalipse
Irmãos e irmãs em Cristo, é muito bom estar com vocês!
Eu tenho de confessar o milagre que fez com que eu estivesse aqui. Três dias atrás, eu não tinha o visto para vir ao Brasil e ele chegaria somente na próxima semana. Mas, no dia de Nossa Senhora de Fátima, ele chegou. Você não tem ideia do quanto isso, humanamente, era impossível de ter acontecido!
Estou aqui para partilhar, a partir da Palavra de Deus, sobre a mãe e a família de Deus. Mas preciso dar um passo atrás, para que vocês entendam. Eu era um “fora da lei”. Aos 14 anos, fui preso por causa de vários pequenos crimes, mas Jesus me encontrou e me puxou de dentro da lama e estabeleceu comigo um relacionamento, uma vida totalmente nova.
Eu comecei a ler a Bíblia ainda adolescente e a li três vezes. Apaixonei-me pelo Senhor Jesus das Escrituras. Eu não era católico, mas tinha vários amigos católicos que viviam como se não conhecessem Jesus; então, eu os colocava na minha mira e queria trazê-los para conhecer o Senhor, pois eles agiam como se não O conhecessem.
Demorou 10 anos, mas foi a partir de uma experiência que eu tive, rezando sozinho ao Espírito Santo, que eu recebi o dom do Espírito.
No estudo da Bíblia, eu descobri que a chave contida nela é a aliança. Deus faz uma aliança conosco, então temos a antiga e a nova aliança. Eu estava lendo isso do início ao fim, desde o Gênesis ao Apocalipse.
Eu entrei na faculdade e comecei a estudar grego, e fui me aprofundando no estudo da Bíblia. Depois, aprendi hebraico e podia ler o Antigo Testamento na sua língua original. Depois de mais três anos de estudo, estava pronto para ser ordenado e fiz uma descoberta extraordinária: os padres da Igreja primitiva, como Santo Agostinho, e comecei a ler seus escritos. Eles trouxeram a Bíblia até mim de uma forma mais viva do que quando eu estudava na faculdade.
Os padres da Igreja primitiva construíram uma ponte e não um muro, e meu amor por Jesus decolou. Nesse processo, descobri a verdade da Eucaristia como a Páscoa da nova aliança, como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Então, um dia, eu me permiti fazer algo que achava perigoso: fui à Missa e ali eu ouvi a Bíblia. Estava na primeira e segunda leituras, o Antigo e Novo Testamento, e a escritura se tornou viva. E quando passamos da Liturgia da Palavra para a Liturgia Eucaristia, eu escutei o padre pronunciar a consagração. Eu sabia, na minha mente e no meu coração, que aquilo não era mais pão.
As pessoas à minha volta começaram a cantar “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós” por três vezes, e era como se uma luz se acendesse. As pessoas iam à frente para receber a comunhão. O nome que mais há no Apocalipse é Cordeiro de Deus, e eu não entendia o porquê até aquela Missa. Eu olhava nas páginas do Apocalipse e estava vendo, na minha frente, o ‘Aleluia’, o ‘Amém’.
Meus irmãos, a chave para a Palavra de Deus é a aliança, mas eu achava que tinha o mesmo sentido de contrato. Nos Estados Unidos, contrato e aliança são sinônimos. Mas, na aliança, você é meu e eu sou seu, e isso envolve a comunhão de personalidades. Você faz um contrato quando troca mercadorias por lucro, por exemplo, mas uma aliança é celada em nome do amor.
Uma aliança não é um contrato, é uma relação de família. Neste tempo, eu estava na preparação para o casamento e compreendi que confundir aliança com contrato é o mesmo que confundir casamento com prostituição.
No contrato, você dá sua palavra a alguém; na aliança, você invoca o nome santo de Deus, e o que cimenta é o poder do nome do Senhor. Nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram mediadores da antiga aliança, mas eles a quebraram, desobedeceram o Senhor. E toda vez que essa aliança foi renovada, no Antigo Testamento, Deus foi paternal. A segunda aliança foi com Noé, sua esposa e filhos já na arca. Depois, veio Abraão, ele era o chefe de uma tribo e foi chefe de uma nação. Após ele, os 12 filhos que se tornaram as 12 tribos de Israel; após a Páscoa, tornaram-se uma nação, a família de Jesus.
Deus é o pai de uma família universal. A Igreja católica é a família mundial de Deus. Pelo Espírito Santos todos vocês são meus irmãos e irmãs, isso é real, não é fantasia. O plano, desde o início, é de uma família inteira. Temos um Pai, que é Deus; temos Jesus, que é Filho e nosso irmão. Então, é necessário que tenhamos uma mãe, que é Maria. A lógica do amor é o que faz sentido no plano de Deus, desde o Gênesis até o Apocalipse.
Cristo é o novo Adão, e nós encontramos isso no Evangelho de João capítulos 1 e 2, cuja relação é muito próxima com o Gênesis. No começo, em Gênesis, Deus criou tudo pelo poder da Sua palavra; em João, vemos como a Palavra se tornou carne, é uma pessoa, é o filho eterno do Pai divino, que entra na nossa família para nos levar à família eterna.
Jesus ensinou aos discípulos a rezar como nenhum rabino o fez. Deus está chamando Seus filhos a crescer, Ele quer que nos tornemos santos, mas para fazer isso precisamos nos alimentar da Sua palavra, e nesse processo vamos descobrindo não só que Deus é nosso Pai, mas que Maria é nossa Mãe.
Em Gênesis, no capítulo 1, lemos que, no princípio, Deus criou o céu, a terra, a luz, o mar. No capítulo 1 de João, lemos também “no princípio”. No Gênesis, Deus fez as coisas para consagrá-las no sétimo dia e fez primeiro o masculino. O homem se tornou um com a mulher em uma aliança que depois foi rompida.
No capítulo 1 de João, versículo 29, lemos “no dia seguinte”, e quando prosseguimos, lemos “três dias depois”, ou seja, no quarto dia houve um casamento em Caná da Galileia. Não sabemos o nome dos noivos, mas aí Deus traz uma nova aliança. Ele, como novo Adão, apresenta-nos a nova Eva. Ele revelou um novo Adão e uma nova Eva, que foram preservados do pecado original. A aliança que havia sido rompida foi restabelecida.
Jesus deu Sua Mãe a João, antes de dar o suspiro final na cruz. Todos nós somos discípulos amados, não apenas João, e recebemos Maria como Mãe naquele dia.
O novo Adão foi para o jardim do Getsêmani e também foi testado. A nova Eva, Maria, O seguiu para a árvore certa e do peito aberto de Jesus saiu água e sangue. A água do batismo, o sangue da nova aliança e a mulher estavam ali presente para nos provar que somos da família de Deus. É uma realidade que vai permanecer por toda a eternidade. Continuaremos sendo família de Deus, mesmo que não exista mais Brasil e Estados Unidos.
Quando vivemos aqui na terra, olhamos para o céu e descobrimos que por meio dos sacramentos não somos uma família qualquer, recebemos o Espírito Santo e partilhamos a filiação de Jesus. A mulher coroada no Apocalipse é nossa Mãe, e isso é um grande presente; e não é somente lindo, é poderoso. Foi-nos dado uma Mãe, e como filhos de Deus precisamos dela.
No capítulo 12 do Apocalipse, vemos algo mais: a serpente, que é o demônio. Essa foi a primeira forma que ele tomou para tentar a mulher. Maria tem um corpo glorioso no céu, todos os santos querem chegar a ela. A mulher do capítulo 12 do Apocalipse é a nova Eva, ela e sua procriação esmagam a cabeça da serpente. A bem-aventurada Virgem Maria não é apenas a nova Eva, ela é a arca da nova aliança como também a arca da antiga aliança que ficava no antigo templo. Maria é a arca da nova aliança na Jerusalém celestial, ela contém a Palavra de Deus feito carne e nos capacita a conquistar o céu.
Ela é uma rainha, tem uma coroa na cabeça com 12 estrelas, as quais significam as 12 tribos de Israel. O seu Filho é rei de Israel e de todas as nações, porque Ele é Filho de Davi, Filho de Deus. Quando você lê o Novo Testamento iluminado pelo Antigo, vê que quando Salomão foi coroado, a sua primeira ordem real foi quando viu sua mãe se aproximando do trono. Até aquele momento, todo mundo tinha de se inclinar diante do rei, mas, quando a mãe dele se aproximou, ele foi quem se inclinou. E aí ele prestou homenagem à sua mãe, dando um lugar a ela do lado do rei e a estabelecendo como rainha.
Eu achava o rosário uma superstição, mas eu mal sabia que o rosário ia se tornar minha oração favorita. Todos nós precisamos da Virgem Mãe do nosso lado. Precisamos tirar a força das nossas paixões e transformá-la em santidade. Homens e mulheres, nós precisamos da Bem-Aventurada Virgem como nunca precisamos antes.
Você não precisa gastar anos estudando sobre os padres da Igreja antiga ou estudando grego e hebraico, apesar de ser muito bom. Tudo o que você precisa fazer como católico é ir à Missa e escutar a Palavra de Deus. Como irmãos católicos, pertencemos à Igreja e, por meio da Bíblia, na liturgia, experimentamos essa verdade do Antigo e do Novo sendo realizado em Maria.
Jesus honra Sua Mãe mais do qualquer um de nós. Nós apenas O imitamos. A imitação de Cristo é a base para honrarmos Maria.

Transcrição e adaptação: Míriam Bernardes

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