7 de março de 2016

BOLETIM INFORMATIVO RÁDIO VATICANO - 04/03/2016

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Papa e Santa Sé

 

Papa: fomos escolhidos para estender a mão e absolver 

  

◊Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco presidiu na tarde desta sexta-feira (04/03), na Basílica de São Pedro, a celebração penitencial na qual abriu a inciativa “24 horas para o Senhor” que partiu de Roma e ganhou alcance mundial.   O evento nasceu com o intenção de recolocar no centro a importância da oração, da adoração eucarística e o do dom do sacramento da Reconciliação, e oferecer a todos a possibilidade de fazer experiência pessoal da misericórdia de Deus. “Eu quero ver de novo: este é o pedido que queremos fazer hoje ao Senhor. Ver de novo, depois de os nossos pecados nos terem feito perder de vista o bem e desviar da beleza da nossa vocação, levando-nos para longe da meta”, disse Francisco na homilia. Segundo o pontífice, “este trecho do Evangelho possui um grande valor simbólico e existencial, porque cada um de nós se encontra na situação de Bartimeu. A sua cegueira o levou à pobreza e a viver na periferia da cidade, dependendo em tudo dos outros”.  “Também o pecado tem este efeito: nos empobrece e nos isola. É uma cegueira do espírito que impede de ver o essencial, fixar o olhar no amor que dá a vida; e, aos poucos, leva a deter-se no que é superficial até deixar insensíveis aos outros e ao bem. Quantas tentações têm a força de anuviar a vista do coração e torná-lo míope! Como é fácil e errado crer que a vida dependa do que se possui, do sucesso ou do aplauso que se recebe; que a economia seja feita apenas de lucro e consumo; que as pretensões próprias devam prevalecer sobre a responsabilidade social! Olhando apenas para o nosso eu, tornamo-nos cegos, amortecidos e fechados em nós mesmos, sem alegria nem verdadeira liberdade.” Porém, Jesus passa; passa e não vai além, parou, como diz o Evangelho. “Então um frêmito atravessa o coração, porque nos damos conta de ser contemplados pela Luz, por aquela Luz gentil que nos convida a não ficar fechados em nossas cegueiras tenebrosas. A presença de Jesus perto de nós faz sentir que, longe d’Ele, falta-nos qualquer coisa importante: faz-nos sentir necessitados de salvação; e isto é o princípio da cura do coração. Depois, quando o desejo de ser curado ganha audácia, leva a rezar, a gritar, com força e insistência, por ajuda, como faz Bartimeu: «Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!»”  “Infelizmente, há sempre alguém que não quer parar, não quer ser incomodado por quem grita a sua aflição, preferindo mandar calar e repreender o pobre que chateia. É a tentação de prosseguir como se nada tivesse acontecido; mas, assim, nos afastamos do Senhor e deixamos afastados de Jesus também os outros. Reconheçamos todos que somos mendigos do amor de Deus, e não deixemos escapar o Senhor que passa. «Timeo transeuntem Dominum – temo que o Senhor passe» (Santo Agostinho). Demos voz ao nosso desejo mais verdadeiro: «[Jesus], que eu veja de novo!» “ “Este Jubileu da Misericórdia é tempo favorável para acolher a presença de Deus, experimentar o seu amor e voltar a Ele de todo o coração. Como Bartimeu, joguemos fora o manto e ponhamo-nos de pé, ou seja, joguemos fora aquilo que nos impede de caminhar rapidamente para Ele, sem medo de deixar aquilo que nos dá segurança e a que estamos presos; não fiquemos sentados, ergamo-nos, recuperemos a nossa estatura espiritual, a dignidade de filhos amados que estão diante do Senhor para que Ele nos fixe nos olhos, nos perdoe e recrie.” Segundo o Papa, “hoje mais do que nunca, sobretudo nós, pastores, somos chamados também a escutar o grito, talvez abafado, de quantos desejam encontrar o Senhor. Somos obrigados a rever comportamentos que, às vezes, não ajudam os outros a aproximar-se de Jesus; horários e programas que não atendem às reais necessidades daqueles que poderiam aproximar-se do confessionário; regras humanas, quando valem mais do que o desejo de perdão; nossa rigidez que poderia manter longe da ternura de Deus.”  “Certamente não devemos diminuir as exigências do Evangelho, mas não podemos correr o risco de frustrar o desejo que tem o pecador de reconciliar-se com o Pai, porque o regresso do filho a casa é o que acima de tudo anseia o Pai.” “Que as nossas palavras sejam as dos discípulos que, repetindo as próprias expressões de Jesus, dizem a Bartimeu: «Coragem, levante-se, porque Jesus está chamando você». Somos enviados para dar coragem, amparar e levar a Jesus. O nosso ministério é o ministério do acompanhamento, de modo que o encontro com o Senhor seja pessoal, íntimo, e o coração possa, com sinceridade e sem medo, abrir-se ao Salvador. Não esqueçamos jamais: o único que age em cada pessoa é Deus. No Evangelho, é Ele que para e pergunta pelo cego; é Ele que diz para trazê-lo; é Ele que o escuta e cura. Fomos escolhidos para suscitar o desejo da conversão, ser instrumentos que facilitam o encontro, estender a mão e absolver, tornando visível e operante a sua misericórdia.” Francisco disse que a conclusão desse episódio do Evangelho “é densa de significado: Bartimeu «logo recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho». Também nós, quando nos aproximamos de Jesus, vemos de novo a luz para olhar o futuro com confiança, encontramos a força e a coragem para nos pormos a caminho. Com efeito, «quem acredita, vê» e vai adiante com esperança, porque sabe que o Senhor está presente, ampara e guia. Sigamo-Lo, como discípulos fieis, para tornar participantes da alegria do seu amor misericordioso aqueles que encontrarmos em nosso caminho”. (MJ)

 

Pe. Lombardi: prevenção a abusos e renovada formação humana e espiritual

  

◊Cidade do Vaticano (RV) - Na quarta e quinta-feira desta semana (2 e 3 de março), o sacerdote jesuíta Hans Zollner, membro da Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores, encontrou em duas ocasiões algumas vítimas de abusos sexuais por parte do clero de Bullarat, na Austrália, presentes em Roma por ocasião do depoimento que o Cardeal George Pell prestou àComissão real australiana. Um testemunho “pessoal digno e coerente”, na “perspectiva da comum purificação da memória”, ressalta numa nota o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi.  Respondendo ao desejo que as vítimas australianas de abusos expressaram de encontrar um membro da Pontifícia Comissão, o Cardeal Pell pediu que o encontro fosse feito com Pe. Hans Zollner. As vítimas dos abusos falaram com o jesuíta alemão de modelos educacionais voltados para os menores, os pais e os professores, de modo a efetuar mudanças estruturais no âmbito da Igreja e da sociedade por uma efetiva salvaguarda de crianças e adolescentes. Segundo nota da Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores, Pe. Zollner apreciou muito as preocupações expressas pelas vítimas e suas propostas de medidas preventivas, e as apresentará aos demais membros da Comissão, de modo que todos possam haurir da experiência das vítimas para melhorar o trabalho de prevenção de forma eficaz dos abusos sexuais por parte de pessoas a serviço da Igreja. Por sua vez, na nota de Pe. Lombardi, o porta-voz vaticano ressalta o esforço “corajosamente dedicado pelos Papas no enfrentamento da crise sobre os abusos que se manifestaram nos últimos anos. Portanto, é totalmente errôneo observa pensar que na Igreja não se tenha feito nada ou muito pouco para responder a estes dramas horríveis”. Ao mesmo tempo, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé evidencia que a Igreja, “ferida e humilhada pela chaga dos abusos”, pretende reagir não somente em busca da superação do problema, “mas também para colocar a disposição sua dura experiência neste campo, para enriquecer seu serviço educativo e pastoral à sociedade inteira, que de modo geral tem ainda um longo caminho a ser feito para dar-se conta da gravidade dos problemas e para enfrentá-los.” Em relação ao depoimento do Cardeal Pell, a nota define “um testemunho digno e coerente” que ajudará na perspectiva da “comum purificação da memória”. “Se os apelos que se seguiram ao Oscar ao filme Spotlight e à mobilização das vítimas dos abusos por ocasião do depoimento do Cardeal Pell contribuírem para intensificar o combate aos abusos contra menores na Igreja católica, estes são bem-vindos”, conclui Pe. Lombardi. (RL)

 

Papa: o perdão é a maior Porta Santa

 

◊Cidade do Vaticano (RV) - O último compromisso do Papa na manhã de sexta-feira (04/03) foi a audiência que concedeu aos cerca de 500 participantes do Curso promovido pela Penitenciaria Apostólica. O Curso foi dirigido aos jovens sacerdotes e seminaristas para prepará-los a ministrar o Sacramento da Reconciliação.  Em seu discurso, o Pontífice destacou que a celebração deste Sacramento requer uma adequada e atualizada preparação, para que quem se aproxima dele “possa tocar com a mão a grandeza da misericórdia”.

 

O perdão é a maior Porta Santa

 

De fato, acrescentou o Papa, a possibilidade do perdão está realmente aberta a todos, ou melhor, escancarada, como a maior das “portas santas”, porque coincide com o coração próprio do Pai, que ama e aguarda todos os seus filhos, de modo especial os que erraram mais e estão distantes. A misericórdia do Pai, explicou Francisco, pode alcançar toda pessoa de diferentes maneiras, mas há, todavia, um caminho certo: Jesus, que tem o poder na terra de perdoar todos os pecados e transmitiu esta missão à Igreja.  “O Sacramento da Reconciliação, portanto, é o local privilegiado para celebrar a festa do encontro com o Pai. Não nos esqueçamos disso com facilidade. A festa é parte do Sacramento.”

 

Sacerdotes são instrumentos da misericórdia de Deus

 

O Pontífice recordou aos jovens sacerdotes que eles são instrumentos da misericórdia de Deus, portanto, devem estar atentos a não colorem um obstáculo ao dom de salvação. O único desejo do confessor é fazer com que cada fiel possa fazer experiência do amor do Pai, disse o Papa, citando como modelos Leopoldo Mandic e Pio de Pietrelcina. Depois da absolvição do sacerdote, prosseguiu Francisco, todo fiel tem a certeza de que os pecados não existem mais, foram cancelados pela misericórdia divina. “Gosto de pensar que Deus tem uma fraqueza: uma memória ruim. Uma vez que Ele o perdoa, se esquece. E isso é grande! “Toda absolvição é, de certo modo, um jubileu do coração.” É importante, portanto, que o confessor seja também um “canal de alegria” e que o fiel, depois de ter recebido o perdão, não se sinta mais oprimido pelas culpas. “Neste nosso tempo, marcado pelo individualismo, por tantas feridas e pela tentação de fechar-se, é realmente um dom ver e acompanhar pessoas que se aproximam da misericórdia. Isso comporta também, para todos nós, uma obrigação ainda maior de coerência evangélica e de benevolência paterna; somos guardiões, jamais donos, seja das ovelhas, seja da graça.” O Papa então fez uma exortação: “Coloquemos novamente no centro e não somente neste Ano jubilar!  o Sacramento da Reconciliação, espaço do Espírito onde todos, confessores e penitentes, podemos fazer experiência do amor de Deus por cada um dos seus filhos único amor definitivo e fiel e que jamais desilude”.

 

Sacerdote, ícone do Pai

 

Se um confessor se encontrar em dificuldade e não puder absolver, Francisco sugeriu que nunca se esqueçam que o sacerdote é o ícone do Pai. Portanto, deve usar gestos e  palavras para que o pecador se sinta acolhido e convidado a repetir a experiência da confissão e saia do confessionário certo de que encontrou um pai e não alguém que o repreendeu: “Quantas vezes vocês ouviram alguém dizer: ‘Eu nunca me confesso, porque uma vez fui e ele me censurou...’ Mesmo que eu não possa absolver, posso fazer com que sinta o calor de um pai, eh? Nem que seja para rezar um pouco com ele ou com ela. É pai que está ali.”  (BF)

 

Igreja terá novos santos, beatos e veneráveis

  

◊Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência na tarde desta quinta-feira(03/03), no Vaticano, o Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, ao qual autorizou a promulgação dos decretos relativos a dois novos santos, dois novos beatos e oito novos veneráveis.  Será canonizado o bispo espanhol de Palencia, Dom Emanuele González García, fundador da União Eucarística Reparadora e da Congregação das Irmãs Missionárias Eucarísticas de Nazaré. É conhecido como o “bispo dos tabernáculos abandonados” por ter difundido a devoção à Eucaristia. Viveu no período trágico da guerra civil na Espanha. A grande mística francesa Isabel da Trindade, carmelita descalça, também será proclamada santa. Ela faleceu aos 26 anos no Carmelo de Dijon com a doença de Addison, uma rara enfermidade endocrinológica. Ofereceu todo o seu sofrimento para a salvação das almas, em união com Jesus Crucificado. Viveu a noite escura dos místicos, experimentando o abandono total da parte de Deus. Foi também tentada pelo suicídio. Venceu toda tentação: “Nunca perca a coragem. É mais difícil se libertar do desencorajamento que do pecado. Não se inquiete se não se constatar progressos no estado da própria alma. Muitas vezes Deus permite isso para evitar um sentimento de orgulho. Ele sabe ver os nossos progressos e contar todo nosso esforço”, escreveu a futura santa.

 

Os dois novos beatos são:

 

o carmelita descalço francês Frei Maria-Eugênio do Menino Jesus (1894-1967), fundador do Instituto Secular de Nossa Senhora da Vida, e a religiosa argentina Maria Antônia de São José (1730-1799), fundadora do Beatério dos Exercícios Espirituais de Buenos Aires. 

 

Os oito novos veneráveis são: 

Dom Stefano Ferrando da Sociedade Salesiana de São João Bosco, Arcebispo titular de Troina, bispo emérito de Shillong, fundador da Congregação das Irmãs Missionárias de Maria Auxiliadora dos Cristãos. Ele nasceu em 28 de setembro de 1895 e morreu em 20 de junho de 1978.

♦ Dom Enrico Battista Stanislao Verjus da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, Bispo titular de Limyra, coadjutor do vicariato Apostólico da Nova Guiné. Nasceu em 26 de maio de 1860 e morreu em 13 de novembro de 1892.

♦ Pe. Giovanni Battista Quilici sacerdote diocesano, pároco e fundador da Congregação das Filhas do Crucificado. Nasceu em 26 de abril de 1791 e morreu em 10 de junho de 1844.

♦ Pe. Bernardo Mattio sacerdote diocesano, pároco. Nascido em 2 de janeiro de 1845 e morto em 11 de abril de 1914.

♦ Pe. Quirico Pignalberi, Sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores Conventuais. Ele nasceu em 11 de julho de 1891 e morreu em 18 de julho de 1982.

♦ Irmã Teodora Campostrini fundadora da Congregação das Irmãs Mínimas de Caridade de Maria das Dores. Ela nasceu em 26 de outubro de 1788 e morreu em 22 de maio de 1860.

♦ Bianca Piccolomini Clementini Fundadora da Companhia de Santa Angela Merici de Sena. Nasceu em 7 de abril de 1875 e morreu em 14 de agosto de 1959.

♦ E Irmã Maria Nieves Sánchez y Fernández (Maria Nieves da Sagrada Família) religiosa professa das Filhas de Maria Religiosas das Escolas Pias. Nasceu em 2 de maio de 1900 e morreu em 1° de maio de 1978. (MJ)

 

Pregação da Quaresma: todos devem evangelizar com palavras e obras

  

◊Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria Romana participaram na manhã de sexta-feira (04/03) da terceira pregação da Quaresma, na Capela Redemptoris Mater.  O tema proposto pelo pregador da Casa Pontifícia, Fr. Raniero Cantalamessa, foi “Anunciar a Palavra. O Espírito Santo, principal agente de evangelização”. Com este tema, Fr. Cantalamessa concluiu as reflexões sobre a constituição Dei Verbum. O frade capuchinho recordou que o meio primordial e natural com o qual se transmite a palavra é o sopro, a voz. Também a Palavra de Deus segue esta lei. Ela se transmite por meio de um sopro por obra do Espírito Santo. Na prática, acrescentou Fr. Cantalamessa, quando se fala de evangelização a primeira coisa a evitar é pensar que esta seja sinônimo de pregação o que seria reservado a uma categoria particular de cristãos. Ao invés, a tarefa de evangelizar é de todos, com palavras e obras. Mas no âmago da evangelização deve estar um amor genuíno pelos homens: esta é a alma do Evangelho. “O Evangelho do amor só pode ser anunciado por amor. Se não nos esforçarmos a amar as pessoas que temos diante de nós, as palavras se transformam facilmente entre as mãos em pedras que ferem e das quais nós defendemos”, disse o Pregador da Casa Pontifícia. “Amor, portanto, pelos homens. Mas também e sobretudo amor por Jesus. É o amor de Cristo que deve nos impulsionar”, concluiu.  (BF)

 

O Espírito Santo, principal agente de evangelização

  

◊Cidade do Vaticano (RV) - Nesta sexta-feira (4), a Capela Redemptoris Mater recebeu o Papa Francisco e os colaboradores da Cúria Romana para a terceira pregação da Quaresma. Confira o texto integral do pregador da Casa Pontifícia, Fr. Raniero Cantalamessa: 

 

"Anunciar a Palavra. O Espírito Santo, principal agente de evangelização"

 

Hoje vamos continuar e concluir as nossas reflexões sobre a constituição Dei Verbum, ou seja, sobre a Palavra de Deus. Na última vez falei da “lectio divina”, ou seja, da leitura pessoal e edificante da Escritura. Seguindo o esquema delineado por São Tiago distinguimos três operações sucessivas: acolher a Palavra, meditar a Palavra, colocar em prática a Palavra. Falta uma quarta operação a ser feita, sobre a qual queremos refletir hoje: anunciar a Palavra. A Dei Verbum fala brevemente do lugar privilegiado que a Palavra de Deus deve ter na pregação da Igreja (DV, nr. 24), mas não trata diretamente do anúncio, também porque sobre este argumento o Concílio dedica um documento a parte, a Ad gentes divinitus, sobre a atividade missinária da Igreja. Depois deste texto conciliar, o discurso foi retomado e atualizado pelo Beato Paulo VI com a Evangelii nuntiandi, por São João Paulo II com a Redemptoris missio, e pelo Papa Francisco com a Evangelii gaudium. Do ponto de vista doutrinário e operacional, portanto, tudo foi dito, e ao mais alto nível do magistério. Seria insensato da minha parte achar que eu poderia acrescentar algo. O que é possível fazer, de acordo com a linha destas meditações, é destacar algum aspecto mais diretamente espiritual do problema. Para fazê-lo, começo com a frase, muitas vezes repetida, do Beato Paulo VI: “o Espírito Santo é o principal agente da evangelização[1]”.

 

1. O meio e a mensagem

 

Se eu quero espalhar uma notícia, o primeiro problema que se coloca é: com qual meio transmiti-la: através do jornal? através do rádio? através da televisão? O meio é tão importante que a ciência moderna das comunicações sociais cunhou o slogan: "O meio é a mensagem" ( "The medium is the message[2]”). Ora, qual é o meio primordial e natural com o qual se transmite uma palavra? É o sopro, a respiração, a voz que toma, por assim dizer, a palavra que se formou no segredo da minha mente e a leva ao ouvido do interlocutor. Todos os outros meios apenas potenciam e amplificam este meio primordial do sopro ou da voz. Também a escritura vem depois e supõe a viva-voz, uma vez que as letras do alfabeto só são sinais que indicam sons. Também a Palavra de Deus segue esta lei. Ela é transmitida por meio de um sopro. E qual é, ou quem é, o sopro, ou ruah, de Deus, segundo a Bíblia? Nós sabemos: é o Espírito Santo! O meu sopro pode animar a palavra de um outro, ou o sopro de outro animar a minha palavra? Não. A minha palavra só pode ser pronunciada com o meu sopro e a palavra de outro com o seu sopro. Assim, de forma análoga, claro, a Palavra de Deus só pode ser animada pelo sopro de Deus que é o Espírito Santo. Esta é uma verdade muito simples e quase óbvia, mas de imenso alcance. É a lei fundamental de todo anúncio e de toda evangelização. As notícias humanas se transmitem ou com viva-voz ou via rádio, jornal, internet, e assim por diante; a notícia divina, em quanto divina, é transmitida através do Espírito Santo. O Espírito Santo é o verdadeiro, essencial, meio de comunicação, sem o qual nada se percebe da mensagem, a não ser o revestimento humano. As palavras de Deus são "Espírito e vida" (cf. Jo 6, 63), e, portanto, só podem ser transmitidas ou acolhidas “no Espírito”. Esta lei fundamental é a que vemos em ato, concretamente, na história da salvação. Jesus começou a pregar "com o poder do Espírito Santo (Lucas 4,14 ss) Ele próprio declarou: “O Espírito do Senhor está sobre mim... ele me consagrou com a unção, para levar aos pobres uma feliz mensagem”. (Lc 4, 18) Aparecendo aos apóstolos no Cenáculo na tarde de Páscoa, ele disse:" Como o Pai me enviou, também Eu vos envio. Dito isto, soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo "(Jo 20, 21-22). Ao dar aos apóstolos o mandato de ir a todo o mundo, Jesus lhes deu também o meio para realiza-lo  o Espírito Santo e deu-o, de forma significativa, no sinal do sopro, da respiração. De acordo com Marcos e Mateus, a última palavra que Jesus disse aos apóstolos antes de subir ao céu foi "Ide!": “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16,15; Mt 28, 19) . De acordo com Lucas, o comando final de Jesus parece ser o oposto: Fiquem! Permaneçam!: “Permaneçam na cidade até serdes revestidos com o poder do alto” (Lc 24, 49). Claro, não há contradição; o sentido é: ide por todo o mundo, mas não antes de ter recebido o Espírito Santo. Toda a história de Pentecostes serve para destacar essa verdade. Vem o Espírito Santo e eis que Pedro e os outros apóstolos, em voz alta, começam a falar de Cristo crucificado e ressuscitdo e a sua palavra tem uma tal unção e potência que três mil pessoas sentem o coração transpassado. O Espírito Santo, descido sobre os apóstolos, se transformar neles em um irresistível impulso a evangelizar. São Paulo vem afirmar que sem o Espírito Santo é impossível proclamar que “Jesus é o Senhor!” (1 Cor 12, 3), que é o começo e a síntese de todo anúncio cristão. São Pedro, por sua vez, define os apóstolos “aqueles que anunciaram o Evangelho no Espírito Santo” (1 Pd 1, 12). Indica com a palavra “Evangelho” o conteúdo e com a expressão “no Espírito Santo” o meio, ou o método, do anúncio.

 

2. Palavras e obras

 

A primeira coisa a evitar quando se trata de evangelização é a de pensar que seja sinônimo de pregação e, portanto, reservada a uma categoria particular de cristãos. Falando da natureza da revelação a Dei Verbum diz: Esta «economia» da revelação realiza-se por meio de acções e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido[3]”. Trata-se de uma afirmação que remonta a São Gregório Magno. "O Nosso Senhor e Salvador escrevia o santo doutor às vezes nos adverte com o que diz, às vezes, pelo contrário, com o que faz”: “aliquando nos sermonibus, aliquando vero operibus admonet”[4]. Esta lei que vale para a Revelação na sua origem, vale também para a sua difusão. Em outras palavras, não se evangeliza só com as palavras, mas, em primeiro lugar, com as obras e a vida; não com o que se diz, mas com o que se faz e que se é. Assim foi no começo. O estudo de maior autoridade sobre “missão e propagação do cristianismo nos primeiros três séculos”, conclui que "a mera existência e o trabalho constante das comunidades individuais foi o principal fator na propagação do cristianismo[5]". Neste ano da misericórdia vale a pena lembrar em que consistiu este "trabalho" da comunidade cristã. Além da ajuda fraterna entre si, consistia nas obras de misericórdia com todos: no cuidado com os órfãos, com os enfermos, os prisioneiros. A força destas iniciativas era tão evidente que, querendo contrariar o crescimento da fé cristã, o imperador Juliano, que voltou para a religião pagã, tentou introduzir análogas instituições de caridade no âmbito civil. Há um ditado em Inglês que adquire um significado todo particular aplicado à evangelização: “Os fatos falam mais do que as palavras”: “Deeds speak louder than words”. Uma frase muitas vezes repetida por Paulo VI na Evangelii nuntiandi diz assim: “"O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou, se escuta os mestres é porque são testemunhas[6]". Um dos mais famosos filósofos moralistas do século passado (não há necessidade de mencionar o seu nome) certa noite foi surpreendido em um local com uma companhia pouco edificante. Um colega lhe perguntou como podia conciliar a sua conduta com o que escrevia nos seus livros; ele respondeu tranquilamente: “Alguma vez você viu uma placa de sinalização caminhar para a direção que indica?”. Uma resposta brilhante, mas que se condena a si mesma. Os homens não sabem o que fazer com “placas de sinalização” que mostram a direção, mas que não se movem um centímetro. Eu tenho um bom exemplo da eficácia do testemunho, na própria ordem religiosa à qual pertenço. A maior contribuição, mesmo se escondida, que a ordem dos capuchinhos deu à evangelização nos cinco séculos de sua história não foi, creio eu, a de pregadores profissionais, mas o exército de “irmãos leigos”: simples e ignorantes porteiros dos conventos ou pedintes. Populações inteiras recuperaram ou manteram sua fé graças ao contato com eles. Um deles, o Beato Nicolau de Gesturi, falava tão pouco que as pessoas o chamavam de "Frei silêncio”. Até na Sardenha, depois de 58 anos da sua morte, a ordem dos Capuchinhos se indentifica com frei Nicola de Gesturi, ou também com frei Inácio de Laconi, outro santo frei pedinte do passado. O mesmo acontece aqui em Roma, no começo da Ordem, com são Felix de Cantalice. Realizou-se a palavra que Francisco de Assis dirigiu um dia aos fradres pregadores: “Por que vocês se gloriam da conversão dos homens? Saibam que quem os converteu foram os meus frades simples com as suas orações[7]”. Certa vez, durante um diálogo ecumênico, um irmão Pentecostal me perguntou não para criar polêmica, mas para tentar entender mesmo por que nós católicos chamamos Maria de “Estrela da Evangelização”. Foi a ocasião também para mim de refletir sobre este título atribuído a Maria por Paulo VI, na conclusão da Evangelii nuntiandi. Cheguei à conclusão de que Maria é a estrela da evangelização, porque não trouxe uma palavra particular para um povo particular, como fizeram os maiores evangelizadores da história; mas levou a Palavra feito carne e levou-a (também fisicamente) ao mundo inteiro! Nunca pregou, só pronunciou pouquíssimas palavras, mas estava cheia de Jesus e por onde andava exalava o seu perfume, tanto que João Batista deu-se conta desde o ventre de sua mãe. Quem pode negar que a Virgem de Guadalupe tenha desempenhado um papel fundamental na evangelização e fé do povo mexicano? Falando para um ambiente curial, parece-me justo destacar a contribuição que podem dar e que dão, de fato à evangelização aqueles que passam a maior parte do seu tempo atrás de um escritório e tratando negócios aparentemente não relacionados com a evangelização. Concebe-se o próprio trabalho como serviço ao Papa e à Igreja; renova vez ou outra esta intenção e não permite que a preocupação da carreira tome conta do seu coração. O modesto funcionário de uma Congregação contribui para a evangelização mais do que um pregador profissional, se este procura agradar mais os homens do que a Deus.

 

3. Como se tornar evangelizadores

 

Se o compromisso de evangelização pertence a todos, procuremos ver quais são os pré-requisitos e as condições para tornar-se realmente evangelizadores. A primeira condição nos é sugerida pela palavra que Deus dirigiu a Abraão: “Sai da tua terra e vai” (cf. Gn 12, 1). Não há missão e envio sem uma saída prévia. Falamos muitas vezes de uma Igreja "em saída". Devemos dar-nos conta de que a primeira porta da qual sair não é aquela da Igreja, da comunidade, das instituições, das sacristias; é aquela do nosso “eu”. Explicou-o muito bem, em certa ocasião, o próprio Papa Francisco: “Estar em saída, dizia, significa antes de mais nada sair do centro para deixar a Deus no Centro”. "Descentralizar-nos de nós mesmos e recentralizar-nos em Cristo”, diria Teilhard de Chardin. Mais intenso que o grito dirigido a Abraão, é o de Jesus àquele que chama para colaborar com ele no anúncio do Reino: “Parte, sai do teu eu, negue a si mesmo! Então tudo se torna meu. A tu vida muda, o meu rosto se torna o teu. Não eres mais tu que vives, mas eu que vivo em ti”. É o único modo para vencer o enxame de invejas, ciúmes, medos de perder a face, rancores, ressentimentos, situações de antipatia que enchem o coração do homem velho; para ser "habitados" pelo Evangelho e espalhar o odor de Evangelho. A Bíblia nos dá uma imagem que contém mais verdade do que tratados inteiros de pastoral do anúncio: aquela do livro comido que lemos em Ezequiel: "Olhei e vi avançando para mim uma mão, que segurava um manuscrito enrolado, que foi desdobrado diante de mim: estava coberto com escrita de um e de outro lado: eram cânticos de luto, de queixumes e de gemidos. Filho do homem, falou-me, come o rolo que aqui está, e, em seguida, vai falar à casa de Israel. Abri a boca, e ele mo fez engolir. Filho do homem, falou-me, nutre o teu corpo, enche o teu estômago com o rolo que te dou. Então o comi, e era doce na boca, como o mel. (Ez 2, 9 - 3, 3; cf. também Ap 10, 2). Há uma enorme diferença entre a palavra de Deus simplesmente estudada e proclamada e a palavra de Deus antes “comida” e assimilada. No primeiro caso fala-se de um pregador que “fala como um livro impresso”; mas não se chega assim ao coração das pessoas, porque ao coração chega só aquilo que parte do coração. “Cor ad cor loquitur, era o lema do beato cardeal Newman. Retomando a imagem de Ezequiel, o autor do Apocalipse acrescenta uma pequena, mas significativa variação. Diz que o livro engolido era tão doce quanto o mel nos lábios, mas amargo como o fel nas entranhas (cf. Ap 10, 10). Sim porque antes de ferir os ouvintes a palavra deve ferir o anunciador, mostrar-lhe o seu pecado e leva-lo à conversão. Não é o trabalho de um dia. Porém, há uma coisa que é possível fazer em um dia, hoje mesmo: concordar com esta perspectiva, tomar a decisão irrevogável, na medida da nossa capacidade, de não viver mais para nós mesmos, mas para o Senhor (cf. Rm 14, 7-9). Tudo isso não pode ser só fruto do esforço ascético do homem; isso é também obra da graça, fruto do Espírito Santo. “Porque não vivemos mais para nós mesmos, mas para ele (Cristo) que morreu e ressuscitou por nós, mandou, o Pai, o Espírito Santo, primeiro dom aos crentes”. Assim a liturgia nos faz rezar na Oração eucarística IV. É fácil saber como se consegue o Espírito Santo em vista da evangelização. Basta ver como Jesus o conseguiu e como a Igreja o conseguiu no mesmo dia de Pentecostes.  Lucas descreve assim o evento do batismo de Jesus: “Enquanto Jesus, tendo sido batizado também ele, estava em oração, o céu se abriu e desceu sobre ele o Espírito Santo” (Lc 3,21-22). Foi a oração de Jesus que penetrou os céus e fez descer o Espírito Santo e o mesmo aconteceu com os apóstolos. O Espírito Santo, em Pentecostes, desceu sobre eles enquanto “perseveravam unanimemente na oração” (At 1, 14). O esforço por um renovado compromisso missionário está exposto a dois perigos principais. Um deles é a inércia, a preguiça, o não fazer nada e deixar que os outros façam tudo. O outro é o cair em um ativismo humano febril e vazio, com o resultado de perder aos poucos o contato com a fonte da palavra e da sua eficácia. Também isso seria um cair no fracasso. Mais aumenta o volume da atividade, mas deve aumentar o volume da oração. Argumenta-se: isso é absurdo; o tempo é o que é! De acordo, mas quem multiplicou os pães, não poderá, talvez, multiplicar também o tempo? Afinal de contas, é o que Deus faz o tempo todo e que todos os dias fazemos a experiência. Depois de ter orado, fazem-se as mesmas coisas em menos da metade do tempo. Argumenta-se ainda: Mas como estar tranquilos para orar, como não correr, quando a casa pega fogo? É verdade também isso. Mas imaginem esta cena: uma equipe de bombeiros recebeu um alarme e corre com as sirenes ligadas para o lugar do incêndio; mas, chegando ao local, se dá conta de que no reservatório não tem uma só gota de água. Assim somos nós, quando corremos para pregar sem orar. Não é que falte a palavra; pelo contrário, menos se reza mais se fala, mas não palavras vazias, que não tocam ninguém.

 

4. Evangelização e compaixão

 

Juntamente com a oração outro meio para obter o Espírito Santo é a retidão de intenção. A intenção ao pregar Cristo pode ser poluída por várias causas. São Paulo elenca algumas na Carta aos Filipenses: por conveniência, por inveja, por espírito de disputa e de rivalidade (Fl 1, 15-17). A causa que engloba todas as outras, no entanto, é uma só: a falta de amor. São Paulo diz: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como bronze que soa ou como o címbalo que retine" (l Cor 13,1). A experiência me fez descobrir uma coisa: que se pode anunciar Jesus Cristo por motivos que não têm nada a ver com o amor. Pode-se anunciar por proselitismo, para encontrar, no aumento do número dos seguidores, uma legitimidade da própria pequena igreja, especialmente se própria ou de recente fundação. Pode-se anunciar, interpretando literalmente uma frase do Evangelho, para levar o Evangelho aos confins da terra (cf. Mc 13, 10), de modo a preencher o número dos eleitos, e apressar a volta do Senhor. Algumas dessas razões não são em si ruins. Mas por si só não são suficientes. Falta aquele genuíno amor e compaixão pelos homens que é a alma do Evangelho. O Evangelho do amor só pode ser anunciado por amor. Se não nos esforçamos para amar as pessoas que temos em frente, as palavras se transformam facilmente em pedras que ferem e das quais é necessário defender-se como de uma tempestade de granizo. Sempre tenho perante os olhos a lição que a Bíblia, implicitamente, nos dá com a história de Jonas. Jonas é forçado por Deus para ir a Nínive pregar. Mas os ninivitas eram inimigos de Israel, e Jonas não gostava dos ninivitas. Ele está visivelmente contente e satisfeito quando  pode gritar: "Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída!”. A perspectiva não parece desagradá-lo nenhum pouco. Só que os ninivitas se arrependem e Deus lhes poupa do castigo. Neste momento Jonas entra em crise. “Tiveste compaixão disse Deus quase desculpando-se -  de um arbusto... E então, não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, onde há mais de cento e vinte mil seres humanos, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda” (Jn 3, 10 ss). Deus deve fazer mais esforço para convertê-lo, o pregador, do que para converter todos os habitantes de Nínive! Amor, então, pelos homens. Mas também e acima de tudo amor por Jesus. É o amor de Cristo que nos deve motivar. “Me amas? disse Jesus a Pedro  Apascenta as minhas ovelhas” (cf. Jo 21, 15 ss). É preciso amar a Jesus, porque só quem está apaixonado por Jesus pode proclamá-Lo ao mundo com profunda convicção. Só se fala com paixão daquilo que se está apaixonado. Proclamando o Evangelho, tanto com a vida quanto com as palavras, nós não damos a Jesus só a glória, damos-lhe também alegria. Se é verdade que “a alegria do Evangelho preenche o coração e a vida daqueles que se encontram com Jesus[8]”, é verdade também que quem difunde o Evangelho enche de alegria o coração de Jesus. A sensação de alegria e bem-estar que uma pessoa experimenta ao sentir de repente voltar o fluxo da vida em um dos seus membros, até então inerte ou paralizado, é um pequeno sinal da alegria que Cristo experimenta quando sente o seu Espírito voltar a vivificar algum membro morto do seu corpo. Há, na Bíblia, uma palavra que eu nunca tinha notado antes: "Como o frio da neve no tempo da colheita é o mensageiro fiel para com os que o enviam; ele refrigera a alma do seu Senhor" (Pv 25, 13). A imagem do calor e do frio faz pensar em Jesus na cruz gritando: "Tenho sede!". É ele o grande “ceifeiro” sedento de almas, que somos chamados a refrescar com o nosso humilde e devoto serviço ao Evangelho. Que o Espírito Santo, “principal agente da evangelização”, nos conceda dar a Jesus esta alegria, com as palavras ou com as obras, segundo o carisma e a tarefa que cada um de nós tenha na Igreja.

[Tradução Thácio Siqueira, ZENIT]
[1] B. Paulo VI, Evangelii nuntiandi, nr. 75.
[2] O slogan é de Marshall  McLuhan, Understanding Media. The Extensions of Man, Mc Graw Hill, New York 1964.

[3] DV, 2.
[4] Gregorio Magno, Omelie sul Vangelo, XVII.
[5] A. von Harnack, Die Mission und Ausbreitung des Christentums in den ersten drei Jahrhunderten, Hinrichs, Leipzig 1902; ed. it. Missione e propagazione del cristianesimo nei primi tre secoli,  Cosenza 1986, rist. 2009, pp. 321s.
[6] EN, 41.
[7] Celano, Vita Seconda, CXXIII, 164 (FF, 749)
[8] Papa Francisco, Evangelii gaudium, 1.
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Postado neste portal por: Italo Rodrigues

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