26 de julho de 2016

Cardeal Dziwisz na JMJ: Cracóvia vive do mistério da Divina Mise


Cracóvia (RV) -O Arcebispo de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz, celebrou a missa de abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), na tarde desta terça-feira (26/07), no Parque de Blonia situado nesta cidade polonesa. 
Em sua homilia, o purpurado se deteve no diálogo de Jesus ressuscitado com Simão Pedro na margem do Lago de Tiberíades, onde Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele o ama, e diz ao apóstolo para apascentar as suas ovelhas. 
“Hoje, Jesus  Cristo  fala-nos em Cracóvia, nas margens do rio Vistola, que atravessa toda a Polônia, desde os montes até ao mar.  A experiência   de Pedro pode transformar-se em nossa experiência e dispor-nos para a reflexão”, disse o Cardeal Dziwisz.
Coloquemo-nos três perguntas e procuremos  a resposta.   Antes de mais perguntemo-nos: donde vimos até chegar a este  encontro? Como segunda: onde  estamos hoje,  neste momento da nossa vida? Como terceira coisa, perguntemo-nos: a partir deste momento, em que direção colocaremos o resto da nossa vida? O que é que vamos  levar, a partir deste lugar?
Trazemos  conosco  medos e desilusões, mas também as nossas recordações e esperanças, os nossos desejos de vida  num mundo mais humano mais fraterno e solidário. Damo-nos conta das nossas fraquezas, mas acreditamos que “tudo podemos  naquele  que dá força”. Podemos enfrentar os desafios do mundo  de hoje,  no qual o homem faz as suas escolhas  entre fé  e não crença, entre o bem e o mal, entre o amor e o seu contrário.
“Muitos de vocês percorreram  milhares de quilômetros e  investiram muito  na viagem, para poder estar hoje aqui. Estamos em Cracóvia  que já foi capital  daquela Polônia  à qual  mil e cinquenta anos  chegou a luz da fé. A história da Polônia  não foi fácil, mas procuramos sempre permanecer  fiéis a Deus e ao Evangelho.”
“Hoje, estamos aqui, porque  reuniu-nos Jesus  Cristo. Ele é a luz do mundo. Amanhã, chegará até nós o Pedro dos nossos tempos – o Santo Padre Francisco. A presença do Papa nas Jornadas Mundiais da Juventude é também uma bela nota característica desta festa da fé.”
O purpurado disse ainda que “Cracóvia vive do mistério da Divina Misericórdia, também graças à humilde Irmã Faustina e João Paulo II que sensibilizaram a Igreja e o mundo a este particular caráter de Deus. Regressando aos seus países, às suas casas e comunidades, levem a chama da misericórdia, recordando a todos que "bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia". Levem aos outros a chama de sua fé e acendam com ela outras chamas, para que os corações humanos batam no ritmo do Coração de Jesus, que é "fonte ardente de caridade". 
“Que a chama do amor envolva todo o nosso mundo, para que nele não haja mais egoísmo, violência e injustiça, e que em nossa terra se reforcem a civilização do bem, da reconciliação, do amor e da paz”, concluiu. 
Segue, na íntegra, a homilia do Arcebispo de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz.
Queridos jovens amigos!
Ao escutarmos o diálogo de Jesus ressuscitado com Simão Pedro na margem do lago de Tiberíades, ao escutarmos a tríplice pergunta sobre o amor e a resposta que a ela se segue, vêm à nossa mente os acontecimentos da vida do pescador da Galileia, que precedem esta conversa decisiva. Sabemos que um dia ele havia deixado tudo, família, barco e redes, e tinha se colocado na sequela do extraordinário Mestre de Nazaré. Tinha se tornado seu discípulo. Tinha aprendido dele a olhar para as coisas de Deus e dos homens. Tinha vivido a paixão e morte dele e também os momentos pessoais de fraqueza e traição. E depois havia provado a maravilha e a alegria da ressurreição de Jesus, que tinha se manifestado aos discípulos mais próximos, antes de subir ao céu.
Conhecemos também a passagem do diálogo sucessivo, e precisamente do exame sobre o amor de que fala o Evangelho de hoje. Simão Pedro, fortalecido pelo Espírito Santo, tornou-se testemunha corajosa de Jesus Cristo. Tornou-se a rocha da Igreja nascente. Por tudo isto, ele pagou com a vida na capital do Império Romano, pregado numa cruz como o seu Mestre. O sangue de Pedro, uma vez derramado, tornou-se semente para a fé e para o crescimento da Igreja, que abraça toda a terra.
Hoje, Jesus  Cristo  fala-nos em Cracóvia, nas margens do rio Vistola, que atravessa toda a Polônia, desde os montes até ao mar.  A experiência   de Pedro pode transformar-se em nossa experiência e dispor-nos para a reflexão.
Coloquemo-nos três perguntas e procuremos  a resposta.   Antes de mais perguntemo-nos: donde vimos até chegar a este  encontro? Como segunda: onde  estamos hoje,  neste momento da nossa vida? Como terceira coisa, perguntemo-nos: a partir deste momento, em que direção colocaremos o resto da nossa vida? O que é que vamos  levar, a partir deste lugar?
De onde vimos? Vimos “de todas as nações debaixo do sol” (At. 2,5),   como os que chegaram em multidão a Jerusalém aglomerados no dia da Descida do Espirito Santo,  mas nós somos, sem comparação, muitos mais do que naquele tempo de há dois mil anos,  porque por trás de nós estão séculos   e séculos  de anúncio do Evangelho que chegou até aos ângulos mais longínquos   da terra. Trazemos  conosco  a riqueza das nossas culturas, tradições  e línguas. Trazemos  conosco as experiências das nossas Igrejas locais. Trazemos conosco os testemunhos de fé  e de santidade  das precedentes gerações e das gerações atuais dos nossos irmãos e irmãs, discípulos do Senhor ressuscitado. Vimos de regiões do mundo onde a gente vive em paz, onde as famílias são comunidade de amor e de vida e onde os jovens podem realizar os seus sonhos. Mas estão também entre nós rapazes de países  em que a gente sofre  por causa de conflitos e de guerras, em que as crianças  morrem de fome,  em que  os cristãos são cruelmente perseguidos.  Estão  entre nós rapazes provenientes de regiões do mundo onde existem violências e cego terrorismo, onde os governantes se rogam o direito  sobre homens e sobre nações,  deixando-se guiar  por ideologias loucas.
No encontro com Jesus, nestes dias, vimos com experiências pessoais de vida, segundo o Evangelho  no nosso mundo complicado. Trazemos  conosco  medos e desilusões, mas também as nossas recordações e esperanças, os nossos desejos de vida  num mundo mais humano mais fraterno e solidário. Damo-nos conta das nossas fraquezas, mas acreditamos que “tudo podemos  naquele  que dá força” (Cfr. Fl 4, 13). Podemos enfrentar os desafios do mundo  de hoje,  no qual o homem faz as suas escolhas  entre fé  e não crença, entre o bem e o mal, entre o amor e o seu contrário.
Onde  estamos hoje,  em que lugar  e momento da nossa vida? Vimos de perto e de longe. Muitos de vós percorreram  milhares de quilômetros e  investiram muito  na viagem, para poder estar hoje aqui. Estamos em Cracóvia,  que já foi capital  daquela Polônia  à qual  mil e cinquenta anos  chegou a luz da fé. A história da Polônia  não foi fácil, mas procuramos sempre permanecer  fiéis a Deus e ao Evangelho.
Hoje, estamos aqui porque  reuniu-nos Jesus  Cristo. Ele é a luz do mundo. Quem o segue não caminhará nas trevas (cfr. Jo 8, 12).  Ele é caminho e verdade e vida (cfr. Jo 6, 68). Somente Ele, Jesus Cristo, pode satisfazer os desejos mais profundos  do nosso coração.  Foi Ele  Quem nos conduziu até aqui. Ele está presente entre nós.  Ele nos acompanha como os discípulos  no caminho para Emaús. Consagremos a Ele, nestes dias, as nossas coisas, os receios e as nossas esperanças. Ele, nestes dias,  vai interrogar-nos sobre  o amor, como interrogou a Simão Pedro.  Não  nos furtemos  de dar resposta a estas perguntas.
Encontrando-nos com Jesus, provamos, ao mesmo tempo, que todos juntos formamos uma grande comunidade, isto é, a Igreja que  ultrapassa os confins  traçados por homens e que dividem as pessoas.  Somos todos filhos de Deus, redimidos  pelo sangue do seu Filho, Jesus Cristo.  Experimentar  a universalidade da Igreja é uma experiência maravilhosa  ligada  às jornadas  Mundiais da Juventude.  De nós depende a Sua possibilidade de chegar com o Evangelho àqueles que ainda não conhecem Cristo  ou  que  não O conhecem  suficientemente.
Amanhã, chegará até nós o Pedro dos nossos tempos – o Santo Padre Francisco. Depois de amanhã o saudaremos neste mesmo lugar. Nos dias sucessivos escutaremos  as suas palavras e rezaremos  juntamente com ele.  A presença do Papa nas Jornadas Mundiais da Juventude é uma bela nota característica desta festa da fé.
E, enfim, a terceira, última pergunta: para que coisa temos tendência, e o que queremos levar conosco daqui? O nosso encontro dura apenas alguns dias. Vai ser uma experiência intensa, espiritual, que também requer algum esforço. Depois, voltamos para as nossas casas, aos nossos entes queridos, às escolas, universidades e locais de trabalho. Talvez nestes dias faremos propósitos importantes? Talvez vamos nos impor novos objetivos na vida? Talvez ouviremos com clareza a voz de Jesus para deixarmos tudo e segui-Lo?
O que levaremos daqui de regresso às nossas casas? É melhor não antecipar a resposta a esta pergunta. Mas aceitemos o desafio. Partilhemos nestes dias aquilo que temos de mais precioso. Partilhamos a nossa fé, as nossas experiências, as nossas esperanças. Queridos jovens amigos, modelem nestes dias os seus pensamentos e seus corações. Escutem as catequeses que os bispos vão fazer para vocês. Escutem a voz do Papa Francisco. Participem com emoção da santa liturgia. Experimentem o amor misericordioso do Senhor no sacramento da reconciliação. Procurai igualmente tomar conhecimento das igrejas de Cracóvia, da riqueza da cultura desta cidade, bem como da hospitalidade dos seus habitantes e das outras localidades próximas, onde encontrarão repouso depois das fadigas do dia.
Cracóvia vive do mistério da Divina Misericórdia, também graças à humilde Irmã Faustina e graças a João Paulo II, que sensibilizaram a Igreja e o mundo a este particular caráter de Deus. Regressando aos seus países, às suas casas e comunidades, levem a chama da misericórdia, recordando a todos que "bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt 5: 7). Levem  aos outros a chama de sua fé e acendam com ela outras chamas, para que os corações humanos batam no ritmo do Coração de Jesus, que é "fonte ardente de caridade". Que a chama do amor envolva todo o nosso mundo, para que nele não haja mais egoísmo, violência e injustiça, mas que em nossa terra se reforcem a civilização do bem, da reconciliação, do amor e da paz.
O profeta Isaías fala-nos hoje dos "pés cheios de encanto do mensageiro da boa nova" (cfr. Is 52, 7). Tal mensageiro foi João Paulo II, iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude, amigo dos jovens e das famílias. Sejam também vocês tais mensageiros. Levem ao mundo a boa nova de Jesus Cristo. Testemunhem que vale a pena confiar a Ele o nosso destino e que devemos fazer. Escancarem as portas de seus corações a Cristo. Anunciem com convicção, como o Apóstolo Paulo, que "nem a morte, nem a vida [...], nem nenhuma outra criatura, poderá separar-nos do amor de Deus, em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8:, 38-39)
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